domingo, 23 de junho de 2013

Divaldo e as Atuais Manifestações Populares no Brasil


932. Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?
 Resposta - “Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos.
Quando estes o quiserem, preponderarão.”
(Item d'O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, 1857)
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Diante do sofrimento das massas humanas, nos mais diferentes sistemas governamentais pelo mundo, destaca-se a injustiça social que responde pela miséria de diversas expressões que se expande terrivelmente...
As promessas antes das eleições nos governos democráticos fascinam as multidões, especialmente aquelas que são menos aquinhoadas pelo conhecimento, que se rebolcam nos guetos em que se encontram ou nas ruas apinhadas, mas logo passa o período das eleições e são arquivadas. Homens e mulheres que se apresentavam com posturas confiáveis e com discurso lúcido, chegando ao poder permitem-se corromper pelos vícios existentes e esquecem-se do povo que os elegeu.
Invariavelmente preocupam-se com os programas dos partidos aos quais pertencem, com os grupos a que se vincularam e repartem entre eles as fatias saborosas do poder, preservando tudo aquilo quanto combatiam com vigor.
...E a miséria prossegue em liberdade ameaçando ou aniquilando as esperanças de melhores dias.
No Império Romano, por exemplo, a grande preocupação de alguns poderosos era distrair os desocupados, entenda-se: os sem teto, os sem trabalho, os sem direitos de cidadania com o panem et circenses, com o que os divertia, a fim de que esquecessem o abandono a que eram relegados, dando lugar a espetáculos de hediondez que ficaram célebres na memória da História...
Infelizmente, ainda hoje o expediente nefando é utilizado por alguns governos insensíveis que oferecem circo e nem sequer ofertam pão...
O clamor da miséria, no entanto, é muito poderoso, e foi esse estado que se responsabilizou pela Revolução Francesa de 1789 e inúmeras outras, culminando, na atualidade, com a denominada Primavera Árabe, que vem tentando retirar do poder verdadeiros sicários dos seus países.
As injustiças sociais não são resolvidas com migalhas, com soluções apressadas em decorrência do medo, quando passam de vítimas a ameaçadoras, mas através de leis nobres e bem aplicadas.
Divaldo Pereira Franco
(Jornal A Tarde – Salvador/BA - 08/07/2013)
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 Quando as injustiças sociais atingem o clímax e a indiferença dos governantes pelo povo que estorcega nas amarras das necessidades diárias, sob o açodar dos conflitos íntimos e do sofrimento que se generaliza, nas culturas democráticas, as massas correm às ruas e às praças das cidades para apresentar o seu clamor, para exigir respeito, para que sejam cumpridas as promessas eleitoreiras que lhe foram feitas...

Já não é mais possível amordaçar as pessoas, oprimindo-as e ameaçando-as com os instrumentos da agressividade policial e da indiferença pelas suas dores.
O ser humano da atualidade encontra-se inquieto em toda parte, recorrendo ao direito de ser respeitado e de ter ensejo de viver com o mínimo de dignidade.
Não há mais lugar na cultura moderna, para o absurdo de governos arbitrários, nem da aplicação dos recursos que são arrancados do povo para extravagâncias disfarçadas de necessárias, enquanto a educação, a saúde, o trabalho são escassos ou colocados em plano inferior.
A utilização de estatísticas falsas, adaptadas aos interesses dos administradores, não consegue aplacar a fome, iluminar a ignorância, auxiliar na libertação das doenças, ampliar o leque de trabalho digno em vez do assistencialismo que mascara os sofrimentos e abre espaço para o clamor que hoje explode no País e em diversas cidades do mundo.
É lamentável, porém, que pessoas inescrupulosas, arruaceiras, que vivem a soldo da anarquia e do desrespeito, aproveitem-se desses nobres movimentos e os transformem em festival de destruição.
Que, para esses inconsequentes, sejam aplicadas as corrigendas previstas pelas leis, mas que se preservem os direitos do cidadão para reclamar justiça e apoio nas suas reivindicações.
O povo, quando clama em sofrimento, não silencia sua voz, senão quando atendidas as suas justas reivindicações. Nesse sentido, cabe aos jovens, os cidadãos do futuro, a iniciativa de invectivar contra as infames condutas... porém, em ordem e em paz.
* Fonte: http://atarde.uol.com.br/materias/1512342

sábado, 1 de junho de 2013

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Flash mob no Hospital Hadassah de Israel

Quarenta alunos da Academia de Música e Dança de Jerusalém executaram a “Valsa das Flores” (Tchaikovsky) no hall do novo Hospital Sarah Wetsman Davidson Tower, em Jerusalém.
Médicos, pacientes e transeuntes se juntaram à inesperada festa.
Para assisistir à gravação, clique no link abaixo:

terça-feira, 21 de maio de 2013

Experiências de quase-morte (EQM) na TV Band News

Uma variedade do fenômeno de emancipação da alma, conhecida como EQM, foi abordada na TV BAND NEWS.
 Para assistir à gravação, clique no link abaixo:

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A Alma Humana (Allan Kardec)

          O princípio inteligente independe da matéria. A alma individual preexiste e sobrevive ao corpo. O ponto de partida ou de origem é o mesmo para todas as almas, sem exceção; todas são criadas simples e ignorantes e sujeitas a progresso indefinido. Nada de criaturas privilegiadas e mais favorecidas do que outras. Os anjos são seres que chegaram à perfeição, depois de haverem passado, como todas as outras criaturas, por todos os graus da inferioridade. As almas ou Espíritos progridem mais ou menos rapidamente, mediante o uso do livre-arbítrio, pelo trabalho e pela boa vontade. 
A vida espiritual é a vida normal; a vida corpórea é uma fase temporária da vida do Espírito, que durante ela se reveste de um envoltório material, de que se despe por ocasião da morte. O Espírito progride no estado corporal e no estado espiritual.
O estado corpóreo é necessário ao Espírito, até que haja galgado um certo grau de perfeição. Ele aí se desenvolve pelo trabalho a que é submetido pelas suas próprias necessidades e adquire conhecimentos práticos especiais.
Sendo insuficiente uma só existência corporal para que adquira todas as perfeições, retoma um corpo tantas vezes quantas lhe forem necessárias e de cada vez encarna com o progresso que haja realizado em suas existências precedentes e na vida espiritual. Quando, num mundo, alcança tudo o que aí pode obter, deixa-o para ir a outros mundos, intelectual e moralmente mais adiantados, cada vez menos materiais, e assim por diante, até à perfeição de que é suscetível a criatura.
O estado ditoso ou inditoso dos Espíritos é inerente ao adiantamento moral deles; a punição que sofrem é consequência do seu endurecimento no mal, de sorte que, com o perseverarem no mal, eles se punem a si mesmos; mas, a porta do arrependimento nunca se lhes fecha e eles podem, desde que o queiram, volver ao caminho do bem e efetuar, com o tempo, todos os progressos.
As crianças que morrem em tenra idade podem ser Espíritos mais ou menos adiantados, porquanto já tiveram outras existências em que ou praticaram o bem ou cometeram ações más. A morte não os livra das provas que hajam de sofrer e, em tempo oportuno, eles voltam a uma nova existência na Terra, ou em mundos superiores, conforme o grau de elevação que tenham atingido.
A alma dos deficientes mentais é da mesma natureza que a de qualquer outro encarnado; possuem, muitas vezes, grande inteligência;  sofrem pela deficiência dos meios de que dispõem para entrar em relação com os seus companheiros de existência, como os mudos sofrem por não poderem falar. É que abusaram da inteligência em existências pretéritas e aceitaram voluntariamente a situação de impotência para usar dela, a fim de expiarem o mal que praticaram etc. etc.

[ Allan Kardec (1804-1869), in "As cinco alternativas para a Humanidade", §§ 4º e 5º, no livro "Obras Póstumas" ] 

domingo, 5 de maio de 2013

segunda-feira, 22 de abril de 2013

César Lombroso e o Espiritismo (Domerio de Oliveira)


Para Lombroso os delinquentes eram criaturas portadoras de anomalias físicas e morais e que deveriam ser tomados como ponto de partida para as análises de suas personalidades, dando estrutura a uma nova Ciência Penal. Após demorados e pacientes estudos, após colher centenas de casos abonadores de suas idéias, com o livro - “L’uomo Delinquente”, Lombroso deu um forte impulso ao Direito Penal, mostrando que o “criminoso é um doente e absurdo seria puni-lo. Deve, portanto, o criminoso receber adequado tratamento e ser posto simplesmente na impossibilidade de causar dano”.
Lombroso apresentou uma solução simples e cristã para se recuperar o criminoso. O Professor Dr. Sérgio Sighele, referindo-se a Lombroso, disse: “que o criador da Antropologia Criminal fez pelos delinquentes o que Pinel, há mais de um século, fez pelos loucos; não apenas obra de ciência, mas principalmente obra de humanidade” (apud - “Hipnotismo e Mediunidade” - de C. Lombroso - 2.ª ed. - FEB).
Sim, meus amigos, Lombroso criou a Antropologia Criminal que deu nova fisionomia ao Direito Penal e transformou o conteúdo jurídico, social e biológico do delito. Muito teríamos que falar sobre Lombroso sob o aspecto científico, mas, neste comentário, nosso objetivo maior, por certo, é mostrarmos Lombroso diante da fenomenologia mediúnica. 
Sabemos que Lombroso nasceu em Verona, (Itália), no dia 6 de novembro de 1835. Foi de origem humilde e revelou-se sempre um excelente estudante. Desde os primeiros anos de Escolinha Primária até formar-se em Medicina, Lombroso revelou uma inteligência brilhantíssima. Tanto batalhou que, após sério concurso, conseguiu a cátedra de Antropologia Criminal na Universidade de Turim. 
Travou tremendas batalhas aos opositores das suas idéias, mas, nunca deu-se por vencido. Foi um Homem de coragem, Alta Moral e de Princípios Rígidos. Foi lenta e árdua, porém, contínua e segura, a marcha de Lombroso rumo ao Espiritismo. De início, ridicularizava as manifestações psíquicas. Motejava dos médiuns e das "mesas girantes”. Chegava mesmo a insultar os espíritas. 
Entretanto, certa feita, através de uma carta do seu amigo Ercole Chiaia, chegou ao seu conhecimento a figura de uma mulher Napolitana, analfabeta, de classe humilde, robusta e que se chamava EUSÁPIA PALADINO. 
Como céptico, Lombroso recusou-se a assistir sessões com a referida médium. Mas seu amigo Chiaia tanto insistiu que Lombroso fez absoluta questão de impor as condições. Os demais participantes das reuniões, inclusive a médium, aceitaram todas as condições impostas por Lombroso. Assim, na presença de Lombroso, sob fiscalização rigorosa, estando a Médium segura por duas pessoas, desenrolaram-se fenômenos de transportes de objetos, de materializações parciais, de tiptologia, (mensagem transcendental obtida por meio de pancadas), de vozes diretas e outros da mesma estirpe. 
Depois de tudo o que presenciou, induvidosamente, Lombroso rendeu-se à Verdade e confessou: 
“Estou muito envergonhado e desgostoso por haver combatido com tanta persistência a possibilidade dos fatos chamados espiríticos; mas os fatos existem e eu deles me orgulho de ser escravo”. 
    Os trabalhos de Lombroso com a Médium Eusápia Paladino foram se sucedendo e foram progredindo. Sob a ectoplasmia desprendida por Eusápia, Lombroso, sempre vigilante, obteve revelações maravilhosas. Aludidas revelações venceram a desconfiança científica de Lombroso e não deixaram também de iluminar a sua Consciência Moral. 
    Em uma determinada sessão, robusteceu-se, ainda mais, a plena convicção de Lombroso, ante a materialização do Espírito de sua mãe. A médium Eusápia prometera uma surpresa a Lombroso e esta concretizou-se através da materialização do Espírito da mãe dele. Sim, meus amigos, o Espírito da mãe de Lombroso materializou-se e aproximando do seu filho lhe disse: “Cesare, bambino mio” e depois retirando, por um momento, o véu que lhe cobria a face, deu-lhe um beijo. E Lombroso confessa que, no instante, em que ocorria a materialização do Espírito da sua mãe, Eusápia tinha as mãos presas por duas pessoas e que também a estatura de Eusápia era bem mais alta do que a do Espírito materializado da sua mãe. 
    Eis aí, meus amigos, a Verdade através de um depoimento de um Homem de Ciência, de um Sábio. Será que alguém poderá contestá-la, cremos que não...
     Lombroso desencarnou no dia 19 de outubro de 1909, em Turim, aos 74 anos de idade. Perante nossa Doutrina, sem dúvida, foi um pesquisador incansável, doando-nos um livro magnífico: “Hipnotismo e Mediunidade” do qual tiramos elementos para este nosso modesto trabalho. Perante a Disciplina que o levou à Cátedra é considerado, até hoje, um dos mais geniais e dos mais insignes Mestres Italianos. 
    Lombroso expirou serenamente nos braços de sua talentosa filha Drª Gina, que se referiu a esse momento final com essas palavras: “A sua Alma passou para o Infinito como um rio que, ao chegar à foz tranquila, se expande no mar...” 
(Domério de Oliveira, São Paulo/SP)
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Divaldo Franco em Santa Maria/RS (21/04/2013)

Paulo Salerno escreveu: 
Santa Maria, agradecida e reconhecendo o inestimável trabalho apresentado por esse orador e médium de escol, fez-se presente no Largo da Gare – Antiga estação Férrea -, na Av. Rio Branco, com um público estimado pela Guarda Municipal em dez mil pessoas. Após bela apresentação musical encetada pelo Grupo Arte Luz, o Vereador Paulo Airton Denardin entregou ao emérito tribuno espírita o título honorífico de Visitante Ilustre de Santa Maria. Presente o Prefeito Cezar Augusto Schirmer, acompanhado de alguns secretários e edis. O evento teve a cobertura da TV Câmara, da TV Pampa e da RBSTV, todas de Santa Maria.

 Divaldo falou da excelência do amor, tendo por modelo o Mestre Nazareno. Apresentou sob a ótica de estudiosos do comportamento da criatura humana as suas particularidades. Desenvolveu com sua costumeira verve os vários níveis por onde transita o ser humano. Destacou o trabalho laborioso, continuado, dos homens de ciência em busca da compreensão do Homem como ser integral, sua constituição genética.
  (Para ampliar, clique na imagem abaixo)
A vida, disse, está condicionada a variantes diversas, com causas remotas ou atuais, estando também sujeita à negligência do próprio homem. Divaldo deixou uma mensagem de esperança, de confiança em Deus e Suas sábias Leis, destacando a necessidade de não se lamentar, por muito tempo, pelas desencarnações acontecidas na Boate Kiss. Destacou que há a necessidade de se despertar para a misericórdia Divina, não cultivando a morte, mas a vida, lembrando, aqueles que aqui ficaram, dos momentos alegres, felizes, fazendo todo o bem possível, exercendo a solidariedade. Divaldo deixou uma exuberante mensagem de vida, de conforto espiritual. A multidão levantou-se e o aplaudiu entusiasticamente ao final de sua conferência. (Fotos: Jorge Moehlecke)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Como Allan Kardec conceitua o Espiritismo

“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.” (O que é o Espiritismo, Preâmbulo)
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“O Espiritismo é uma ciência de observação...” (O que é o Espiritismo, cap. I)
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“O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo invisível e as suas relações com o mundo visível.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, item 6)
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"Há duas coisas no Espiritismo: a parte experimental das manifestações e a doutrina filosófica." (O que é o Espiritismo, FEB, 17ª ed, p. 119)
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A força do Espiritismo "está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom-senso." (O Livro dos Espíritos, conclusão, item VI)
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"Este livro (...) foi escrito por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, isenta dos preconceitos do espírito de sistema." (O Livro dos Espíritos, Prolegômenos)
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"A explicação dos fatos que o Espiritismo admite, de suas causas e conseqüências morais, forma toda uma ciência e toda uma filosofia, que reclamam estudo sério, perseverante e aprofundado.” (O Livro dos Médiuns, item 14, item 7º)

RELIGIÃO?
“Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com um rótulo sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral”. (Revista Espírita, dez/1868. Discurso de 01-11-1868 na SPES)
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"O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência e não se ocupa de questões dogmáticas. Esta ciência tem consequências morais, como todas as ciências filosóficas. (...) Seu verdadeiro caráter é, portanto, o de uma ciência e não o de uma religião”. (Allan Kardec, Terceiro Diálogo, no livro “O que é o Espiritismo”)
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“Quem primeiro proclamou que o Espiritismo era uma religião nova, com seu culto e seus sacerdotes, senão o clero? Onde se viu, até o presente, o culto e os sacerdotes do Espiritismo? Se algum dia ele se tornar uma religião, o clero é quem o terá provocado” (Revista Espírita, ed. Edicel, jul/1864, p. 198)

ESPIRITUALIDADE
"O Espiritismo caminha ao lado da ciência no campo da matéria: admite todas as verdades que a ciência comprova; mas não se detém onde ela para: prossegue nas suas pesquisas no campo da espiritualidade." (Obras Póstumas, I Parte "in fine")
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"A vaidade de certos homens, que crêem saber tudo e tudo querem explicar à sua maneira, dará origem a opiniões dissidentes, mas todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão no mesmo sentimento de amor ao bem e se unirão por um laço fraterno que envolverá o mundo inteiro; deixarão de lado as mesquinhas disputas de palavras para somente se ocuparem das coisas essenciais." (O Livro dos Espíritos,1857, Prolegômenos)

sexta-feira, 29 de março de 2013

Perito atesta autenticidade gráfica de textos psicografados

Carlos Augusto Perandréa, advogado, professor da Universidade Estadual de Londrina/PR, renomado técnico em grafoscopia, publicou o livreto "A psicografia à luz da grafoscopia" (Editora FE) em que atesta a autenticidade gráfica de várias mensagens psicografadas por Chico Xavier.

Tudo começou quando familiares de um jovem, que havia morrido em acidente de trânsito em Londrina/PR, touxeram-lhe mensagem psicografada em Uberaba/MG pelo referido médium, juntamente com cadernos universitários contendo anotações feitas de próprio punho pelo rapaz antes de sofrer o acidente fatal. Para espanto de Pernadréa, os escritos, tecnicamente comparados, revelavam o mesmo grafismo, atestando a singular gênese gráfica. Católico, Perandréa não conseguia entender tal fato e, interrompendo a aula de grafoscopia que ministrava para um grupo de funcionários do Banco do Brasil, perguntou se alguém presente poderia ajudá-lo. Terminada a aula da qual eu participava como aluno, apresentei-me ao perito informando-lhe que, como espírita, eu tinha explicações para o fenômeno que o intrigava. Conversamos e lhe sugeri a leitura d'O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. Posteriormente à publicação do livreto, o autor veio ao RS visitar-me para agradecer a indicação bibliográfica que lhe fôra muito útil. Declarando-se um convicto adepto da doutrina espírita, entregou-me um exemplar do livro, informando que outros casos semelhantes, que lhe tinham chegado às mãos, haviam sido nele inseridos. Na oportunidade, Perandréa foi, em Porto Alegre/RS, entrevistado em emissoras de rádio, na TV Guaiba e, convidado por peritos do Instituto Geral de Perícias-RS, participou de um encontro com seus colegas grafotécnicos. (Aureci Figueiredo Martins)

terça-feira, 26 de março de 2013

ABORTO - Manifesto da ABRADE


Em referência às discussões sobre alteração da legislação, em especial a criminal, no tocante a flexibilizar o entendimento sobre hipóteses permissivas ao aborto, a ABRADE entende que o aborto só deva ser praticado na circunstância extrema de que comprovadamente tenha que se optar na ótica médica, por questão de sobrevivência, entre a vida da mãe ou a do nascituro.
Não se faz necessário, portanto, qualquer esforço legislativo no sentido de ampliação das hipóteses legais, tendo em vista que o Brasil é signatário de diversos documentos internacionais de PROTEÇÃO À VIDA e dos DIREITOS DO NASCITURO, assim como se inscreve como cláusula pétrea do ordenamento constitucional vigente (Constituição Federal, art. 60, § 4º), já que a concepção e a proteção à maternidade e infância são direitos individuais consagrados e amplamente protegidos (art. 6º da Lei Maior).
Deste modo, a ABRADE posiciona-se contrária às iniciativas de relaxamento da criminalização do aborto, tendo em vista o caráter de indisponibilidade da vida como bem jurídico maior, aliás como consta da própria Carta Fundamental brasileira, art. 50, representando avanços no sentido de proteção à vida e à maternidade, inclusive zelando pela integridade físico-psicológica da mulher-mãe.
Ao invés de promover a liberdade de matar o nascituro, cabe ao Estado, por medidas educativas e programas permanentes, investir no conceito de maternidade e paternidade responsáveis, incutindo nos adolescentes, jovens e adultos as ideias de educação da sexualidade, geração consciente de filhos e proteção integral à infância e adolescência e, após o nascimento, quando pertinente, oferecer os meios legais e ágeis para o processo de adoção, investindo decisivamente na solução de um problema social que não se justifica, dada a grande demanda de famílias e pessoas interessadas na adoção das crianças.
Esclarecer a Sociedade sobre os componentes materiais e espirituais da VIDA é tarefa fundamental e inalienável de todo homem de bem, ético e civicamente responsável. Excetuando-se a hipótese acima citada, nem a gestante e nem ninguém pode decidir acerca de quem vive e quem morre, já que nem ao Estado nem aos indivíduos é concedido o direito de dispor sobre a vida de outrem, seja ela já formada seja em processo de constituição efetiva, pós-fecundação.
Devemos investir na Educação e na Fraternidade como elementos fundamentais de uma Sociedade próspera e feliz!
Conselho Nacional dos Divulgadores do Espiritismo (CNDE) da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo (ABRADE) 

sábado, 23 de março de 2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Fundou Jesus alguma religião?


“Aceito o Cristo e os Evangelhos, todavia não aceito o vosso cristianismo.”
(Palavras de Ghandi aos padres anglicanos)

Lemos na pergunta 625 d’O Livro dos Espíritos: - Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? Resposta - “Vede Jesus.” E Kardec acrescenta: “Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava”.

Quando mergulhamos na essência da mensagem de Jesus, torna-se-nos evidente a desconformidade das prédicas e práticas adotadas pelas religiões autoproclamadas “cristãs” com os lídimos ensinamentos do Excelso Mestre.

Em parte alguma dos Evangelhos detectei Jesus vestindo paramentos, ministrando sacramentos ou quaisquer outras formas do ritualismo religioso. Estas práticas litúrgicas foram criadas a pouco e pouco, a partir do século IV, com a declaração do cristianismo como religião oficial do Império Romano pelo imperador e “pontifex maximus”, Constantino. Desde então o cristianismo passou de perseguido a perseguidor e incontáveis foram os crimes e desmandos cometidos “ad majorem Dei gloriam” sob a capa da religião, manchando com sangue e lágrimas a história da Humanidade por muitos e muitos séculos.

Por outro lado, é oportuno lembrar que Jesus era detestado e anatematizado pelos religiosos da sua época por desprezar a vacuidade do ritualismo espetaculoso por eles praticado e que ainda remanesce em boa parte das igrejas “cristãs”.

Também não encontrei, nos textos escriturísticos, Jesus ou qualquer um dos seus apóstolos fazendo votos de “castidade” ou de pobreza, vivendo em celibato, ou ajoelhando-se diante de altares ou de imagens. Vale lembrar que o vasto panteão dos santos canonizados é hoje, indisfarçavelmente, o substitutivo dos mitológicos deuses pagãos.

Constatei que o único título que Jesus reivindicou para si foi o de educador: “Vós me chamais mestre e dizeis bem porque eu o sou.” E, quando um jovem rico o chamou de bom, ele respondeu: “Por que me chamais bom? Bom só Deus o é!” Observei que Jesus orava a Deus, então como pôde ser confundido com a Divindade? Convenhamos! Se assim fosse, teríamos Deus orando para si mesmo?

Nas minhas observações não encontrei Jesus a fazer preces de abertura e/ou de encerramento nas suas atividades missionárias e, quando orava, dirigia-se a Deus em silêncio e profundo recolhimento íntimo, usando expressões que lhe vinham ao coração e à mente naqueles momentos especiais, ensinando-nos assim a maneira correta de nos dirigirmos ao Alto. Concluo, igualmente, que Jesus ensinou-nos a elevar nossas preces apenas ao Creador, Pai dele e nosso, embora eu entenda que nada nos impede de endereçar rogativas aos espíritos superiores e, dentre eles, Jesus.

Quanto aos chamados “milagres” a ele atribuídos, sabemos hoje que eventos sobrenaturais não podem acontecer, pois que todos os fenômenos que ocorrem, a qualquer tempo ou lugar, são perfeitamente afinados aos mecanismos causais das leis naturais, tão perfeitas e inalteráveis como o Legislador que as estabeleceu, Deus. Tanto é assim, que Jesus declarou não ter vindo derrogar a lei, e que tudo o que ele fazia nós também poderíamos fazer...

Sabemos igualmente que, quando o corpo morre, o espírito que o animava (alma) desliga-se irreversivelmente da carne e, na condição de desencarnado, continua mais vivo do que antes. Relativamente à chamada ressurreição de Lázaro, lê-se que, ao receber a notícia da morte do irmão de Marta e Maria, Jesus teria dito: “Lázaro não está morto; ele dorme”, evidenciando que seu amigo de Betânia estava num estado morte aparente, cataléptico.

Penso que Jesus, ao proclamar a libertação pelo conhecimento, estabeleceu as bases de uma filosofia vivencial espiritualizada, que impele a cada um de seus seguidores pelas trilhas luminosas do autodescobrimento como espírito imortal em processo evolutivo ascensional, rumo a sempre crescentes níveis de perfectibilidade. Este saber basilar alicerça a crença raciocinante e ativa, que induz o verdadeiro seguidor de Jesus à progressão intelectual e moral, sustentáculo da conduta ética e caridosa que se reflete positivamente na psicosfera da coletividade humana, encarnada e desencarnada.

Posto isto, pergunto a ti, leitor:
- Fundou Jesus alguma religião?

Aureci Figueiredo Martins – Porto Alegre/RS: E-mail: aureci@globo.com

Reflexão pós-Natal (Vinicius Lousada)

"Em meu coração reside Jesus da Galileia, o Homem acima do homem, o Poeta que faz poeta de todos nós, o Espírito que bate à nossa porta para que despertemos e nos levantemos e saiamos para encontrar a verdade nua e crua.” (Khalil Gibran) [1]

Natal, Jesus e a recepção de seus ensinos

Recentemente vivemos o período da festa cristã do Natal, data no calendário que o mundo ocidental convencionou referir o nascimento de Jesus de Nazaré, filho de Maria e de José, que trouxe ao mundo uma profunda mensagem de amor através de seus atos e ensinamentos que, apesar da intervenção dos homens mediante as doutrinas religiosas e as prováveis adulterações que sofreram os textos dos evangelistas, permanecem atuais ante os conflitos existenciais que assolam os indivíduos e a grande massa.

É bem verdade que Jesus, Espírito de escol, jamais fundara qualquer religião ou seita[2]. Viveu como judeu e tudo indica que seguiu a tradição religiosa de seus pais, nada obstante, muitas vezes ele fora “religiosamente incorreto”, superando a normose[3] religiosa de seu tempo, como quando pronunciou a parábola do bom samaritano; na conversa com a Samaritana, nas curas que realizara aos sábados, na convivência com pessoas de “má vida”, leprosos e na repreensão que fizera aos fariseus naquela passagem no templo.

A sua relação com os discípulos era a de mestre, professor das verdades eternas que se propunha a partilhar com os Espíritos mais simples a sua filosofia de amor, vida e transcendência da qual decorre uma espiritualidade profunda que, suspeito eu, ainda não ser devidamente compreendida por um enorme contingente de cristãos. Tal ininteligibilidade dos sentidos da filosofia de Jesus pode ser explicada pelo fato de que, normalmente, a massa educada nas religiões tradicionais, na crença pela crença, tende a se ocupar mais do que os religiosos dizem sobre a mensagem do Cristo do que, efetivamente, da meditação em torno de seus ensinos para aplicá-los.

Do mesmo modo, falta para muita gente uma leitura mais espiritual do conteúdo das palavras do Mestre para decodificá-las em prol de possíveis e acertados entendimentos da Boa Nova. Enquanto isso não se soluciona, exegetas bíblicos pertencentes às mais variadas denominações religiosas se ocupam de ratificar seus dogmas, sacramentos e ritos através dos textos denominados sagrados, referindo-se às palavras do Mestre como fundamentos de suas teses. E as religiões de orientação mercadológica seguem à cata de adeptos para se avolumarem em práticas coletivas pouco espirituais, mais afeitas a perturbar a razão do que ocupadas com a promoção dos valores da alma.

Para nós, espíritas, que aderimos a uma perspectiva filosófica onde a categoria “fé” deve ser acompanhada por uma atitude de cultivo da razão, de livre pensar mesmo, interessa-nos os aspectos éticos e morais das lições de Jesus, Espírito Superior que encarnou-se conosco para ensinar-nos a viver e evoluir de forma consciente, sem mediadores oportunistas como fornecia prodigiosamente o farisaísmo de Seu tempo.

Espiritualidade e religião

Nos dias em que vivemos alguns pensadores têm diferenciado religião e espiritualidade. Religião se refere mais ao culto, à institucionalização da fé, a formalização coletiva da experiência pessoal com o sagrado, onde estão presentes a letra dos textos sacralizados, os dogmas, os rituais, o culto exterior e a figura dos sacerdotes que se supõem na condição de mediadores entre Deus e as criaturas.

Já espiritualidade parece remeter à experiência espiritual no âmbito do foro íntimo, calcada na liberdade de consciência e na crescente conscientização e busca de sintonia com as Divinas Leis, sem mediação humana – insisto –, mas como conquista dialógica entre criatura e Criador como recomendava Jesus de Nazaré. Trata-se, por certo, da experiência que Rousseau, no seu clássico “Emílio, ou Da Educação”, chamou de religião natural e que se nomeia hoje por espiritualidade, onde o ser humano se encontra com Deus na própria intimidade. O conceito de espiritualidade me parece bem clarificado pelo filósofo e teólogo Leonardo Boff quando assim se pronuncia:

Espiritualidade, nesse sentido, significa viver segundo o espírito, ao sabor da dinâmica da vida. Trata-se de uma existência que se orienta na afirmação da vida, de sua defesa e de sua promoção, vida tomada em sua integralidade, seja em sua exterioridade, como relação para com os outros, para com a sociedade e para com a natureza; seja em sua interioridade, como diálogo com o eu profundo, com o grande ancião que mora dentro de nós (o universo dos arquétipos) mediante a contemplação, a reflexão e a interiorização, numa palavra, mediante a potenciação da subjetividade.[4]
De tal conceito depreende-se espiritualidade como a experiência interior de um conhecer/fazer e fazer/conhecer de nossa dimensão espiritual que afirma a vida na sua totalidade, sem a dicotomia entre Espírito e matéria ensinada pelas religiões tradicionais em sua lógica binária sobre a concretude da existência e a sua transcendência, portadoras de tal reducionismo que empobrecem sobremaneira o entendimento de nosso lugar no cosmos e no aqui e agora, tanto quanto atormenta as criaturas que vivem sob o látego da fé cega e da doutrina da culpa – ambas ferramentas domesticadoras historicamente postas a serviço da doutrinação das massas. Aliás, não é à-toa que, em sua visão crítica, Rubem Alves – também teólogo – cunhou a seguinte provocação filosófica: “Deus nos deu asas. Mas as religiões inventaram gaiolas”[5]. Coisa para a gente pensar, se não portamos o temor normótico de raciocinar em matéria de fé, evidentemente.

Quando as religiões produzem a racionalização[6] de seus princípios em oposição ao livre pensar, elas abafam a espiritualidade e efetivam, assim, o maior de seus erros, como lembra Frei Betto.[7] Nas posturas sectárias, exclusivistas, fundamentalistas, antiprogressistas, belicosas e ansiosas por hegemonia, as religiões obnubilam a luz da espiritualidade. Esse é o fator agônico de muitas religiões e, segundo o filósofo espírita Herculano Pires, “O sistema sectário, fechado e arrogante, arbitrário, não pode prevalecer num mundo que se abre para as relações cósmicas”[8].

Consideremos os avanços nas neurociências, na física quântica ou, até mesmo, na ecologia, na sociologia ou antropologia, no último século, que não será difícil reconhecer a certeza de nossas incertezas no campo do saber científico, quero dizer, a relatividade de nossos saberes matizados pelas circunstâncias materiais onde eles são produzidos. Somos forçados pelo bom senso a assumir a postura epistemológica difundida pelo sociólogo Boaventura de Souza Santos[9], a da douta ignorância, ou seja, “saber que a diversidade epistemológica do mundo é potencialmente infinita e que cada saber só muito limitadamente tem conhecimento dela”. O que equivale a reconhecer os nossos limites epistemológicos diante da sócio diversidade do mundo, da pluralidade de práticas culturais, saberes e fazeres e, por que não dizer, das variadas formas de relação com o sagrado.

Voltando ao tema da espiritualidade, ela se manifesta no recôndito do ser como um convite interior para que o sujeito venha a transbordar, conectado às Leis Cósmicas da Vida, em amor e sabedoria na direção do próximo, interpretado aqui num conceito estendido a todos os seres da vida. Essa experiência de transcendência (ir além de si) naturalmente ocorre mobilizando uma ligação profunda e singela, sem aparatos exteriores, com a Causa Primeira. Espiritualidade, dessa forma, é uma experiência transpessoal de humildade, ação correta, calmaria, sensatez, ternura, gratidão a Deus e compaixão por todos os seres que se enraíza no silêncio e no recolhimento, bem diferente da espetacularização da fé que temos assistido na mídia religiosa no tempo presente.

A Espiritualidade de Jesus

Há mais de dois mil anos um jovem partiu da bucólica Nazaré para apresentar uma filosofia diferente para um povo cansado da ortodoxia religiosa, da dominação política e do engodo dos falsos profetas que pululavam em toda parte. Esse Nazareno propunha uma doutrina fundamentada em ensinamentos que ministrava em público, embora não se furtasse de dar lições na vida privada, junto ao Lago da Galileia, na via pública, em festas, com os pobres e, algumas vezes, nos templos destinados à tradição religiosa de seu povo.

Dos Evangelhos é possível extrair a essência de sua Doutrina cujo eixo fundamental consiste numa tríade do amor: o amor a Deus, o amor ao próximo e o amor a si mesmo[10]. Nesse sentido é oportuno recordar dois estudos feitos pelos Espíritos junto a Kardec e presentes em O Evangelho segundo o Espiritismo, livro em que se ocupa exclusivamente do ensino moral de Jesus, definido pelo próprio mestre lionês como código divino[11], o que significa que Allan Kardec via o Evangelho como uma coleção de preceitos ou normas éticas que traduziam de algum modo as Leis de Deus. O Mestre Jesus procurou revelar-nos essas Leis que regem a vida do Espírito imortal apesar de nossa pouca perspicácia para compreendê-lo à época.

Os estudos acima referidos[12] são dos Espíritos Fénelon, teólogo francês desencarnado, e de Sanson, ex-membro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. No primeiro, Fénelon enfatiza a essência divina do amor e sua presença como centelha na intimidade de todos nós perceptível nas mais variadas formas de manifestação de amor que somos capazes de dar, apesar de nossas imperfeições morais. Nessa perspectiva o benfeitor espiritual considera que os efeitos sociológicos da vivência do amor seriam a renovação humana e a felicidade na vida terrestre. Já Sanson conceitua o amor, dando-nos material suficiente para aprendermos que esse sentimento deve extrapolar as considerações metafísicas a seu respeito e não se tornar mero adorno no âmbito das subjetividades. Afirma Sanson:

Amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que queira que estes lhe façam; é procurar em torno de si o sentido íntimo de todas as dores que acabrunham seus irmãos, para suavizá-las; é considerar como sua a grande família humana (...).

Vejamos que esse conceito espírita do amor destaca valores como a lealdade, a probidade, a consciência da responsabilidade para com a felicidade dos outros e está pautado na regra áurea ensinada por Jesus. De fato, Sanson também apresenta a práxis do amor no exercício da compaixão que implica em um entendimento da dor alheia para que o indivíduo possa aliviá-la. Além disso, o benfeitor aponta a ideia do amor universal ao propor que vejamos como nossa a grande família humana, notadamente exortando-nos à fraternidade universal – saber necessário à superação de preconceitos e sectarismos de qualquer monta. De que atualidade e amplitude de aplicação não são esses valores?!

São valores humanistas cuja fonte espiritual está, sem dúvida, embasada na espiritualidade daquele jovem de Nazaré que marcou a história ensinando e exemplificando a sua tríade do amor. Ademais, ele deixou como critério de verdade do amor a Deus o amor ao próximo quando teria dito: Se alguém diz: “Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?”[13]. Religiosidade que não se materializa na vivência do amor ao próximo consiste em jogo de aparências, a piedade fica teatralizada e a caridade acaba por ser mero marketing pessoal.

A espiritualidade de Jesus, tão esquecida no Natal comercial e materialista vigente em nossa cultura, pode ser sintetizada na práxis do amor que deve se constituir em vivência de cada um dos valores já destacados. Meditemos em torno deles e façamos uma útil reflexão pós-Natal. Esse presente a gente merece!
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[1] GIBRAN, Kahlil. Jesus, o filho do homem. Rio de Janeiro: PoketOuro, 2009, p. 59.
[2] Vide o artigo de Aureci Figueiredo Martins intitulado “Fundou Jesus alguma religião?”, postado neste blog.
[3] Vide o texto “Apreciações sobre a normose”, de minha autoria, postado no site: http://saberesdoespirito.blogspot.com.br/2010/03/apreciacoes-sobre-normose.html.
[4] BOFF, Leonardo. Ecologia, mundialização, espiritualidade. Rio de Janeiro: Record, 2008, p. 215.
[5] ALVES, Rubem. Perguntaram-me se acredito em Deus. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 207, p. 55.
[6] A palavra racionalização deve ser entendida aqui no sentido que lhe atribui o pensador francês Edgar Morin, trata-se da patologia da razão que encerra o real num sistema de ideias coerente, mas parcial e unilateral. Vide: MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Tradução Eliane Lisboa. Porto Alegre: Sulina, 2006, p. 15.
[7] BETTO, Frei; GLEISER, Marcelo; FALCÃO, Waldemar. Conversa sobre a fé e a ciência. Rio de Janeiro, 2011, p.88.
[8] PIRES, Herculano. Revisão do Cristianismo. São Paulo: Editora Paideia, s/a, p. 45.
[9] SANTOS, Boaventura de Souza. A filosofia à venda, a douta ignorância e a aposta de Pascal. In: Revista Crítica de Ciências Sociais, Porto, n. 80, Março 2008, p.17.
[10] Marcos 12: 30, 31.
[11] O Evangelho segundo o Espiritismo, Introdução, Objetivo desta obra.
[12] O Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo XI, itens 9 e 10.
[13] I Jo 4:20.
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(*) Prof. Dr. Vinícius Lima Lousada - Bento Gonçalves/RS - Brasil
E-mail: vlousada@hotmail.com


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Nova diretoria empossada em 05/01/2013

Eleitos em 17/11/2012, os novos administradores do Instituto, com mandatos até 31/12/2014, tomaram posse na assembleia geral de 05/01/2013: (Clique na imagem para ampliá-la)

Experiências fora do corpo" (Palestras)


Em 2012, o prof. Antônio Carlos Fraquelli proferiu três palestras sobre suas

"Experiências fora do corpo",

fenômeno também estudado na parapsicologia como "Out-of-body Experiences-OBE".


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Desperdício de Alimentos

"...só o necessário é útil; o supérfluo nunca o é.”
(item 704 d'O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec)
 
Em uma ação realizada no início do mês em Porto Alegre, foram trocados os pratos tradicionais do buffet de um restaurante de grande fluxo por outros 20% menores, nos quais literalmente faltava um pedaço.
A ideia era chamar a atenção para os 20% de alimentos que são desperdiçados diariamente no Brasil -- campeão mundial no índice.
Assista ao vídeo promocional:

 

sábado, 24 de novembro de 2012

IETRD, 81 ANOS - Palestras comemorativas

Fundado em 21/11/1931, nossa associação assinalou a passagem do seu 81º aniversário com duas palestras comemorativas:

Palestra primeira - Em 21/11/2012 (quarta-feira), com início às 16h, o prof. Rogério H Feijó Pereira discorreu sobre "A Lei de Amor". Sempre descontraído e espirituoso, o orador prendeu a atenção de uma platéia que, ao final, manifestou seu agrado com uma efusiva salva de palmas.
 A atenta platéia:

Palestra segunda - Em 24-11-2012 (sábado) às 16h, o prof. Moacir Costa de Araújo Lima abordou o tema "Espiritualidade e saúde"
 
Fluente e eloquente, o orador discorreu por 1h para um auditório lotado e silencioso:
 
Ao findar sua palestra, Moacir foi ovacionado demoradamente pela platéia:
Sessão de autógrafos - A partir das 17h, o prof. Moacir autografou várias dezenas de exemplares dos seus livros, especialmente do mais recente deles, que versa sobre a temática por ele abordada na palestra.
 ASSISTA À GRAVAÇÃO DESTA PALESTRA NO YOUTUBE:

domingo, 11 de novembro de 2012

Rony, o pedreiro pianista (vídeo)

No ano em curso (2012), o catarinense Rony Chagas do Nascimento trabalha como ajudante de pedreiro em Vitória/ES. Aos 19 anos, enquanto preparava argamassa numa das tantas obras em que costuma trabalhar, Rony ouvia o som de um piano. Tendo chegado à proprietária do instrumento a notícia de que um pedreiro dizia-se capaz de tocá-lo, ela convidou o servente de obra a demonstrar o que podia fazer como instrumentista. Ao teclado, Rony revelou-se um pianista nato, sem nunca ter estudado música (nesta encarnação, é claro!).
Confira no link abaixo:
Saiba mais sobre Rony:

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Cecília Rocha desencarna em 05/11/2012

Registramos com pesar o falecimento da incansável servidora da causa espírita, especialmente da Evangelização Espírita de Crianças e Jovens, a gaúcha Cecília Rocha.
Imagem abaixo:


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Richard Simonetti fala sobre a Morte (vídeo)


Assista à gravação do programa Transição exibido pela Rede TV no dia 14/03/2010, o entrevistado foi Richard Simonetti e o tema: a Morte. Nesta parte o assunto é comunicação dos espiritos após a desencarnação.
- Devemos pensar nos mortos?
 
É só clicar:                    

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Resposta a um desinformado


O prof. Severino Celestino responde a dúvidas de um telespectador que questiona práticas de ocultismo. Severino deixa claro que no espiritismo inexistem práticas de ocultismo nem de esoterismo, argumentando que o espiritismo é composto por três bases: a filosófica, a científica e a moral.
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Assista ao vídeo:
 
O Dr. Celestino é teólogo, pesquisador, professor do curso de Ciências da Religião da UFPB e, profundo conhecedor do aramaico e hebraico, é especialista em traduções bíblicas. É autor de quatro livros. O primeiro deles, “Analisando as traduções bíblicas: refletindo a essência da mensagem bíblica”, já ultrapassou 30 mil exemplares e está na sexta edição; “O sermão do monte: a sublime e consoladora mensagem de Jesus”; “Bereshit” – este uma tradução direta do hebraico para o português brasileiro do primeiro livro da Bíblia; e o recente “O Evangelho e o cristianismo primitivo” (Editora Ideia).
 
Veja algumas pesquisas de Severino Celestino: