segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Reflexão pós-Natal (Vinicius Lousada)

"Em meu coração reside Jesus da Galileia, o Homem acima do homem, o Poeta que faz poeta de todos nós, o Espírito que bate à nossa porta para que despertemos e nos levantemos e saiamos para encontrar a verdade nua e crua.” (Khalil Gibran) [1]

Natal, Jesus e a recepção de seus ensinos

Recentemente vivemos o período da festa cristã do Natal, data no calendário que o mundo ocidental convencionou referir o nascimento de Jesus de Nazaré, filho de Maria e de José, que trouxe ao mundo uma profunda mensagem de amor através de seus atos e ensinamentos que, apesar da intervenção dos homens mediante as doutrinas religiosas e as prováveis adulterações que sofreram os textos dos evangelistas, permanecem atuais ante os conflitos existenciais que assolam os indivíduos e a grande massa.

É bem verdade que Jesus, Espírito de escol, jamais fundara qualquer religião ou seita[2]. Viveu como judeu e tudo indica que seguiu a tradição religiosa de seus pais, nada obstante, muitas vezes ele fora “religiosamente incorreto”, superando a normose[3] religiosa de seu tempo, como quando pronunciou a parábola do bom samaritano; na conversa com a Samaritana, nas curas que realizara aos sábados, na convivência com pessoas de “má vida”, leprosos e na repreensão que fizera aos fariseus naquela passagem no templo.

A sua relação com os discípulos era a de mestre, professor das verdades eternas que se propunha a partilhar com os Espíritos mais simples a sua filosofia de amor, vida e transcendência da qual decorre uma espiritualidade profunda que, suspeito eu, ainda não ser devidamente compreendida por um enorme contingente de cristãos. Tal ininteligibilidade dos sentidos da filosofia de Jesus pode ser explicada pelo fato de que, normalmente, a massa educada nas religiões tradicionais, na crença pela crença, tende a se ocupar mais do que os religiosos dizem sobre a mensagem do Cristo do que, efetivamente, da meditação em torno de seus ensinos para aplicá-los.

Do mesmo modo, falta para muita gente uma leitura mais espiritual do conteúdo das palavras do Mestre para decodificá-las em prol de possíveis e acertados entendimentos da Boa Nova. Enquanto isso não se soluciona, exegetas bíblicos pertencentes às mais variadas denominações religiosas se ocupam de ratificar seus dogmas, sacramentos e ritos através dos textos denominados sagrados, referindo-se às palavras do Mestre como fundamentos de suas teses. E as religiões de orientação mercadológica seguem à cata de adeptos para se avolumarem em práticas coletivas pouco espirituais, mais afeitas a perturbar a razão do que ocupadas com a promoção dos valores da alma.

Para nós, espíritas, que aderimos a uma perspectiva filosófica onde a categoria “fé” deve ser acompanhada por uma atitude de cultivo da razão, de livre pensar mesmo, interessa-nos os aspectos éticos e morais das lições de Jesus, Espírito Superior que encarnou-se conosco para ensinar-nos a viver e evoluir de forma consciente, sem mediadores oportunistas como fornecia prodigiosamente o farisaísmo de Seu tempo.

Espiritualidade e religião

Nos dias em que vivemos alguns pensadores têm diferenciado religião e espiritualidade. Religião se refere mais ao culto, à institucionalização da fé, a formalização coletiva da experiência pessoal com o sagrado, onde estão presentes a letra dos textos sacralizados, os dogmas, os rituais, o culto exterior e a figura dos sacerdotes que se supõem na condição de mediadores entre Deus e as criaturas.

Já espiritualidade parece remeter à experiência espiritual no âmbito do foro íntimo, calcada na liberdade de consciência e na crescente conscientização e busca de sintonia com as Divinas Leis, sem mediação humana – insisto –, mas como conquista dialógica entre criatura e Criador como recomendava Jesus de Nazaré. Trata-se, por certo, da experiência que Rousseau, no seu clássico “Emílio, ou Da Educação”, chamou de religião natural e que se nomeia hoje por espiritualidade, onde o ser humano se encontra com Deus na própria intimidade. O conceito de espiritualidade me parece bem clarificado pelo filósofo e teólogo Leonardo Boff quando assim se pronuncia:

Espiritualidade, nesse sentido, significa viver segundo o espírito, ao sabor da dinâmica da vida. Trata-se de uma existência que se orienta na afirmação da vida, de sua defesa e de sua promoção, vida tomada em sua integralidade, seja em sua exterioridade, como relação para com os outros, para com a sociedade e para com a natureza; seja em sua interioridade, como diálogo com o eu profundo, com o grande ancião que mora dentro de nós (o universo dos arquétipos) mediante a contemplação, a reflexão e a interiorização, numa palavra, mediante a potenciação da subjetividade.[4]
De tal conceito depreende-se espiritualidade como a experiência interior de um conhecer/fazer e fazer/conhecer de nossa dimensão espiritual que afirma a vida na sua totalidade, sem a dicotomia entre Espírito e matéria ensinada pelas religiões tradicionais em sua lógica binária sobre a concretude da existência e a sua transcendência, portadoras de tal reducionismo que empobrecem sobremaneira o entendimento de nosso lugar no cosmos e no aqui e agora, tanto quanto atormenta as criaturas que vivem sob o látego da fé cega e da doutrina da culpa – ambas ferramentas domesticadoras historicamente postas a serviço da doutrinação das massas. Aliás, não é à-toa que, em sua visão crítica, Rubem Alves – também teólogo – cunhou a seguinte provocação filosófica: “Deus nos deu asas. Mas as religiões inventaram gaiolas”[5]. Coisa para a gente pensar, se não portamos o temor normótico de raciocinar em matéria de fé, evidentemente.

Quando as religiões produzem a racionalização[6] de seus princípios em oposição ao livre pensar, elas abafam a espiritualidade e efetivam, assim, o maior de seus erros, como lembra Frei Betto.[7] Nas posturas sectárias, exclusivistas, fundamentalistas, antiprogressistas, belicosas e ansiosas por hegemonia, as religiões obnubilam a luz da espiritualidade. Esse é o fator agônico de muitas religiões e, segundo o filósofo espírita Herculano Pires, “O sistema sectário, fechado e arrogante, arbitrário, não pode prevalecer num mundo que se abre para as relações cósmicas”[8].

Consideremos os avanços nas neurociências, na física quântica ou, até mesmo, na ecologia, na sociologia ou antropologia, no último século, que não será difícil reconhecer a certeza de nossas incertezas no campo do saber científico, quero dizer, a relatividade de nossos saberes matizados pelas circunstâncias materiais onde eles são produzidos. Somos forçados pelo bom senso a assumir a postura epistemológica difundida pelo sociólogo Boaventura de Souza Santos[9], a da douta ignorância, ou seja, “saber que a diversidade epistemológica do mundo é potencialmente infinita e que cada saber só muito limitadamente tem conhecimento dela”. O que equivale a reconhecer os nossos limites epistemológicos diante da sócio diversidade do mundo, da pluralidade de práticas culturais, saberes e fazeres e, por que não dizer, das variadas formas de relação com o sagrado.

Voltando ao tema da espiritualidade, ela se manifesta no recôndito do ser como um convite interior para que o sujeito venha a transbordar, conectado às Leis Cósmicas da Vida, em amor e sabedoria na direção do próximo, interpretado aqui num conceito estendido a todos os seres da vida. Essa experiência de transcendência (ir além de si) naturalmente ocorre mobilizando uma ligação profunda e singela, sem aparatos exteriores, com a Causa Primeira. Espiritualidade, dessa forma, é uma experiência transpessoal de humildade, ação correta, calmaria, sensatez, ternura, gratidão a Deus e compaixão por todos os seres que se enraíza no silêncio e no recolhimento, bem diferente da espetacularização da fé que temos assistido na mídia religiosa no tempo presente.

A Espiritualidade de Jesus

Há mais de dois mil anos um jovem partiu da bucólica Nazaré para apresentar uma filosofia diferente para um povo cansado da ortodoxia religiosa, da dominação política e do engodo dos falsos profetas que pululavam em toda parte. Esse Nazareno propunha uma doutrina fundamentada em ensinamentos que ministrava em público, embora não se furtasse de dar lições na vida privada, junto ao Lago da Galileia, na via pública, em festas, com os pobres e, algumas vezes, nos templos destinados à tradição religiosa de seu povo.

Dos Evangelhos é possível extrair a essência de sua Doutrina cujo eixo fundamental consiste numa tríade do amor: o amor a Deus, o amor ao próximo e o amor a si mesmo[10]. Nesse sentido é oportuno recordar dois estudos feitos pelos Espíritos junto a Kardec e presentes em O Evangelho segundo o Espiritismo, livro em que se ocupa exclusivamente do ensino moral de Jesus, definido pelo próprio mestre lionês como código divino[11], o que significa que Allan Kardec via o Evangelho como uma coleção de preceitos ou normas éticas que traduziam de algum modo as Leis de Deus. O Mestre Jesus procurou revelar-nos essas Leis que regem a vida do Espírito imortal apesar de nossa pouca perspicácia para compreendê-lo à época.

Os estudos acima referidos[12] são dos Espíritos Fénelon, teólogo francês desencarnado, e de Sanson, ex-membro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. No primeiro, Fénelon enfatiza a essência divina do amor e sua presença como centelha na intimidade de todos nós perceptível nas mais variadas formas de manifestação de amor que somos capazes de dar, apesar de nossas imperfeições morais. Nessa perspectiva o benfeitor espiritual considera que os efeitos sociológicos da vivência do amor seriam a renovação humana e a felicidade na vida terrestre. Já Sanson conceitua o amor, dando-nos material suficiente para aprendermos que esse sentimento deve extrapolar as considerações metafísicas a seu respeito e não se tornar mero adorno no âmbito das subjetividades. Afirma Sanson:

Amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que queira que estes lhe façam; é procurar em torno de si o sentido íntimo de todas as dores que acabrunham seus irmãos, para suavizá-las; é considerar como sua a grande família humana (...).

Vejamos que esse conceito espírita do amor destaca valores como a lealdade, a probidade, a consciência da responsabilidade para com a felicidade dos outros e está pautado na regra áurea ensinada por Jesus. De fato, Sanson também apresenta a práxis do amor no exercício da compaixão que implica em um entendimento da dor alheia para que o indivíduo possa aliviá-la. Além disso, o benfeitor aponta a ideia do amor universal ao propor que vejamos como nossa a grande família humana, notadamente exortando-nos à fraternidade universal – saber necessário à superação de preconceitos e sectarismos de qualquer monta. De que atualidade e amplitude de aplicação não são esses valores?!

São valores humanistas cuja fonte espiritual está, sem dúvida, embasada na espiritualidade daquele jovem de Nazaré que marcou a história ensinando e exemplificando a sua tríade do amor. Ademais, ele deixou como critério de verdade do amor a Deus o amor ao próximo quando teria dito: Se alguém diz: “Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?”[13]. Religiosidade que não se materializa na vivência do amor ao próximo consiste em jogo de aparências, a piedade fica teatralizada e a caridade acaba por ser mero marketing pessoal.

A espiritualidade de Jesus, tão esquecida no Natal comercial e materialista vigente em nossa cultura, pode ser sintetizada na práxis do amor que deve se constituir em vivência de cada um dos valores já destacados. Meditemos em torno deles e façamos uma útil reflexão pós-Natal. Esse presente a gente merece!
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[1] GIBRAN, Kahlil. Jesus, o filho do homem. Rio de Janeiro: PoketOuro, 2009, p. 59.
[2] Vide o artigo de Aureci Figueiredo Martins intitulado “Fundou Jesus alguma religião?”, postado neste blog.
[3] Vide o texto “Apreciações sobre a normose”, de minha autoria, postado no site: http://saberesdoespirito.blogspot.com.br/2010/03/apreciacoes-sobre-normose.html.
[4] BOFF, Leonardo. Ecologia, mundialização, espiritualidade. Rio de Janeiro: Record, 2008, p. 215.
[5] ALVES, Rubem. Perguntaram-me se acredito em Deus. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 207, p. 55.
[6] A palavra racionalização deve ser entendida aqui no sentido que lhe atribui o pensador francês Edgar Morin, trata-se da patologia da razão que encerra o real num sistema de ideias coerente, mas parcial e unilateral. Vide: MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Tradução Eliane Lisboa. Porto Alegre: Sulina, 2006, p. 15.
[7] BETTO, Frei; GLEISER, Marcelo; FALCÃO, Waldemar. Conversa sobre a fé e a ciência. Rio de Janeiro, 2011, p.88.
[8] PIRES, Herculano. Revisão do Cristianismo. São Paulo: Editora Paideia, s/a, p. 45.
[9] SANTOS, Boaventura de Souza. A filosofia à venda, a douta ignorância e a aposta de Pascal. In: Revista Crítica de Ciências Sociais, Porto, n. 80, Março 2008, p.17.
[10] Marcos 12: 30, 31.
[11] O Evangelho segundo o Espiritismo, Introdução, Objetivo desta obra.
[12] O Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo XI, itens 9 e 10.
[13] I Jo 4:20.
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(*) Prof. Dr. Vinícius Lima Lousada - Bento Gonçalves/RS - Brasil
E-mail: vlousada@hotmail.com


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Nova diretoria empossada em 05/01/2013

Eleitos em 17/11/2012, os novos administradores do Instituto, com mandatos até 31/12/2014, tomaram posse na assembleia geral de 05/01/2013: (Clique na imagem para ampliá-la)

Experiências fora do corpo" (Palestras)


Em 2012, o prof. Antônio Carlos Fraquelli proferiu três palestras sobre suas

"Experiências fora do corpo",

fenômeno também estudado na parapsicologia como "Out-of-body Experiences-OBE".


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Desperdício de Alimentos

"...só o necessário é útil; o supérfluo nunca o é.”
(item 704 d'O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec)
 
Em uma ação realizada no início do mês em Porto Alegre, foram trocados os pratos tradicionais do buffet de um restaurante de grande fluxo por outros 20% menores, nos quais literalmente faltava um pedaço.
A ideia era chamar a atenção para os 20% de alimentos que são desperdiçados diariamente no Brasil -- campeão mundial no índice.
Assista ao vídeo promocional:

 

sábado, 24 de novembro de 2012

IETRD, 81 ANOS - Palestras comemorativas

Fundado em 21/11/1931, nossa associação assinalou a passagem do seu 81º aniversário com duas palestras comemorativas:

Palestra primeira - Em 21/11/2012 (quarta-feira), com início às 16h, o prof. Rogério H Feijó Pereira discorreu sobre "A Lei de Amor". Sempre descontraído e espirituoso, o orador prendeu a atenção de uma platéia que, ao final, manifestou seu agrado com uma efusiva salva de palmas.
 A atenta platéia:

Palestra segunda - Em 24-11-2012 (sábado) às 16h, o prof. Moacir Costa de Araújo Lima abordou o tema "Espiritualidade e saúde"
 
Fluente e eloquente, o orador discorreu por 1h para um auditório lotado e silencioso:
 
Ao findar sua palestra, Moacir foi ovacionado demoradamente pela platéia:
Sessão de autógrafos - A partir das 17h, o prof. Moacir autografou várias dezenas de exemplares dos seus livros, especialmente do mais recente deles, que versa sobre a temática por ele abordada na palestra.
 ASSISTA À GRAVAÇÃO DESTA PALESTRA NO YOUTUBE:

domingo, 11 de novembro de 2012

Rony, o pedreiro pianista (vídeo)

No ano em curso (2012), o catarinense Rony Chagas do Nascimento trabalha como ajudante de pedreiro em Vitória/ES. Aos 19 anos, enquanto preparava argamassa numa das tantas obras em que costuma trabalhar, Rony ouvia o som de um piano. Tendo chegado à proprietária do instrumento a notícia de que um pedreiro dizia-se capaz de tocá-lo, ela convidou o servente de obra a demonstrar o que podia fazer como instrumentista. Ao teclado, Rony revelou-se um pianista nato, sem nunca ter estudado música (nesta encarnação, é claro!).
Confira no link abaixo:
Saiba mais sobre Rony:

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Cecília Rocha desencarna em 05/11/2012

Registramos com pesar o falecimento da incansável servidora da causa espírita, especialmente da Evangelização Espírita de Crianças e Jovens, a gaúcha Cecília Rocha.
Imagem abaixo:


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Richard Simonetti fala sobre a Morte (vídeo)


Assista à gravação do programa Transição exibido pela Rede TV no dia 14/03/2010, o entrevistado foi Richard Simonetti e o tema: a Morte. Nesta parte o assunto é comunicação dos espiritos após a desencarnação.
- Devemos pensar nos mortos?
 
É só clicar:                    

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Resposta a um desinformado


O prof. Severino Celestino responde a dúvidas de um telespectador que questiona práticas de ocultismo. Severino deixa claro que no espiritismo inexistem práticas de ocultismo nem de esoterismo, argumentando que o espiritismo é composto por três bases: a filosófica, a científica e a moral.
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Assista ao vídeo:
 
O Dr. Celestino é teólogo, pesquisador, professor do curso de Ciências da Religião da UFPB e, profundo conhecedor do aramaico e hebraico, é especialista em traduções bíblicas. É autor de quatro livros. O primeiro deles, “Analisando as traduções bíblicas: refletindo a essência da mensagem bíblica”, já ultrapassou 30 mil exemplares e está na sexta edição; “O sermão do monte: a sublime e consoladora mensagem de Jesus”; “Bereshit” – este uma tradução direta do hebraico para o português brasileiro do primeiro livro da Bíblia; e o recente “O Evangelho e o cristianismo primitivo” (Editora Ideia).
 
Veja algumas pesquisas de Severino Celestino:

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Um caso de "possessão benigna"

Menina assumiu a personalidade de seu primo morto.
 

Em 5 de abril de 1981, o médium Chico Xavier analisou o caso da menina que teria assumido a personalidade de seu primo que morrera afogado três anos antes.  

A luz da ciência espírita, trata-se de um caso evidente de "possessão benigna", ou seja, fenômeno natural, espontâneo, de ordem mediúnica, em que o espírito de uma pessoa falecida assume temporariamente o comando do corpo de outra pessoa, por afinidade mentoafetiva.
Assista ao vídeo no link abaixo:
 


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Marcas de Nascença (birthmarks) (Iam Stevenson)

Evidências de Vidas Passadas

O Dr. Ian Stevenson (1918-2007) foi um psiquiatra que estudou exemplos muito fortes de crianças pequenas que recordam detalhes de suas vidas passadas. A maioria destas crianças vive na Índia, e alguns no Oriente Médio. Tais crianças, assim que começaram a articular as palavras, falaram a seus pais sobre a "outra família" delas, dando detalhes tais como seu nome precedente, o nome da localidade, como morreu, e os nomes de seus pais, irmãos e irmãs, tias etc.
Outra prova de reencarnação verdadeiramente convincente que Stevenson pesquisou são sinais físicos de nascença. Algumas das crianças que têm memórias de vida passada apresentam, no corpo, estranhas marcas de nascença ou deformações físicas congênitas que parecem provir da maneira como a pessoa morreu na vida precedente. Nalguns casos, o Dr. Stevenson pôde encontrar os registros da necropsia da personalidade anterior, e comparar as fotografias que mostram como morreram com os sinais de nascença apresentados pela criança. Em diversos casos, a criança lembrou ter sido morta a tiros em uma vida precedente recordando detalhes suficientes para que o Dr. Stevenson pudesse reconstituir os registros da necropsia da vida passada da pessoa. Os registros da necropsia mostraram onde a bala entrou e onde saiu – e a criança tinha pequenas marcas de nascença arredondadas, combinando com o laudo do médico legista.

Em um caso similar, um menino que tinha lembranças de sua vida anterior e apresentava um sinal de nascença em sua caixa torácica que parecia uma cicatriz – quando disse o nome que usara na vida passada, o Dr. Stevenson procurou e encontrou o laudo da necropsia, e viu que a pessoa da precedente vida tinha sido morta com um disparo de revólver no peito. O teste padrão dos furos na necropsia coincidiu com as marcas de nascença do menino.

Fonte:





sábado, 25 de agosto de 2012

Psicoterapia espírita

Aureci Figueiredo Martins – aureci@globo.com

Em mais de quarenta anos de atividades espíritas, presenciamos inumeráveis casos de pessoas portadoras de distúrbios psíquicos e/ou comportamentais que reencontraram a serenidade e a alegria de viver nos Centros orientados pela doutrina codificada por Allan Kardec. 

A psicoterapia ideal, assim entendemos, é aquela praticada por técnicos que, além da formação acadêmica, conhecem e reconhecem as realidades espirituais, tal como aconteceu recentemente com o psiquiatra PhD Dr. Raymond Moody Jr – o festejado neurofisiologista autor do best seller “Vida depois da vida” – que, diante dos fatos irrecusáveis das sessões de regressão de memória a que se submeteu e outras tantas a que assistiu, confessou-se adepto da tese reencarnacionista, fazendo coro com inúmeros outros destacados psicoterapeutas da atualidade.

Com relação à terapêutica espiritual oferecida pelas instituições orientadas pela codificação kardecista, cabe esclarecer que somente pode ser exercida por pessoas que pautam sua conduta pela ética doutrinária e que são detentoras da visão espiritocêntrica que a ciência espírita propicia a seus estudiosos. Assim sendo, trata-se de pessoas de boa vontade que possuem informações bastantes sobre a natureza transcendente da criatura humana: reencarnação, desencarnação, imortalidade da alma, vida fora da matéria, sintonia mental, leis morais etc. Diga-se de passagem que, sabidamente, muitos livros da doutrina espírita (Kardec e afins) são excelentes tratados do que hoje se conhece como “psicologia transpessoal”.

Defendemos, pois, a validade da psicoterapia espírita, que inclui a orientação doutrinária apoiada nos ensinos morais de Jesus e as técnicas desobsessivas(1) e fluidoterápicas(2), nas quais contamos com o auxílio dos socorristas espirituais. Não ignoramos, todavia, que o êxito do atendimento espiritual depende do merecimento e do esforço a ser empreendido pelo enfermo para elevar seu padrão vibracional e, desse modo, livrar-se dos maus pensamentos e baixos sentimentos que o tornam vulnerável ao assédio dos espíritos inferiores via sintonia mental.

Há casos em que bastam a prece, a freqüência às reuniões doutrinárias e a leitura de livros edificantes para que a autocura incentivada se efetive. Casos mais graves, entretanto, requerem a conjugação das técnicas desobsessiva e fluidoterápica. Existem ainda situações de expiação de graves deslizes, cometidos pelo indivíduo em seu passado espiritual recente ou de anteriores reencarnações, que podem demandar tempo alongado para obtenção da cura definitiva. Todavia, o esclarecimento espiritual propicia ao doente o consolo de saber-se um espírito imortal e que, com seu esforço de autotransformação moral e de ação no bem, poderá abreviar seus sofrimentos.

Cabe esclarecer ainda que, seja em atendimentos presenciais seja à distância, o tratamento espírita será gratuito e se restringirá aos aspectos espirituais dos distúrbios mento-afetivos e dos efeitos psicossomáticos deles derivados.

Com base em nossa experiência pessoal, podemos afirmar que a informação e o tratamento espíritas constituem eficientes coadjuvantes ao atendimento propiciado pelos profissionais das ciências médicas e/ou psicológicas, sabidamente indispensável nos casos que requerem medicação e/ou aplicação de técnicas psicoterápicas convencionais.
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(1) Desobsessão – Doutrinação dos espíritos obsessores.
(2) Fluidoterapia – Imposição de mãos (passes), água magnetizada, preces.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Espiritualidade & Ciência


"Posso afirmar categoricamente que a ciência me levou à espiritualidade, pois as descobertas da física e do mundo das células mostram cada vez mais a existência de um elo entre ciência e espiritualidade, duas áreas completamente distintas desde a época de descartes, há alguns séculos. Mas tenho certeza de que quando as duas forem novamente reunidas teremos um mundo muito melhor."
(Bruce Harold Lipton, centista-biólogo norte-americano, no livro "A Biologia da  Crença")
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"O Espiritismo caminha ao lado da ciência no campo da matéria: admite todas as verdades que a ciência comprova; mas não se detém onde ela para: prossegue nas suas pesquisas no campo da espiritualidade." 
(Allan Kardec, no livro "Obras Póstumas", I parte "in fine")

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Aria de Bach ao bandoneon (assista ao vídeo)

No vídeo abaixo, delicie-se com a ária para a corda de sol
(bmw 1068) , de J. S. Bach
Clique no link abaixo:

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Nossas Antenas...

Nossas Antenas...

Lourenço Nisticò Sanches* (Recife/PE)


Alegoricamente podemos nos comparar a um computador...

Em tempos modernos, facilita-nos o raciocínio ao utilizarmos de recursos metafóricos para promover o entendimento acerca do funcionamento, o compartilhamento e a interação, do ser humano frente a tudo que faz parte – material e imaterial – do mundo em que vivemos, afinal nele não nos encontramos sós:

Assim, percebemos que é inimaginável a quantidade de riscos a que somos diuturnamente expostos..., e de toda natureza e complexidade!

Desde os materialmente representados por organismos microscópicos causadores das enfermidades e desajustes em nossos órgãos, até os ocultos por detrás das vibrações etéreo-magnéticas que podem comprometer o equilíbrio somático e o da psique; a estes últimos vamos nos ater:

Alegoricamente podemos nos comparar a um computador; desses que comumente chamamos de PC, Notebook, Laptop, Ultrabook etc.

Neles existe o hardware e o software, que lhes dá vida e os fazem funcionar. Maravilha da modernidade!

Com esses aparatos podemos acessar virtualmente o mundo inteiro através da Web – a rede mundial, e por meio da Internet abrimos uma gigantesca porta para participarmos desse fantástico meio de comunicação que não conhece barreiras nem limites.

Pois assim igualmente ocorre conosco, com a diferença de que nunca desligamos o “nosso aparelho”, nem mesmo durante o sono físico.

Da mesma maneira que transmitimos nossos pensamentos a outrem, muita vez, sem que nos apercebamos, igualmente estamos sendo “acessados” por vibrações transmitidas por meio dessa magnífica rede de comunicação que é o poder do pensamento e, não raras vezes, nosso “firewall” e o “antivírus” que possuímos não se encontram adequadamente configurados para impedirmos um indesejável “ataque” que possa vir a nos “contaminar”.

Também somos responsáveis sempre que emitimos vibrações de baixa freqüência como também ao sintonizarmos “estações” inadequadas, nelas deixando inconscientemente registrado “nosso endereço” e dessa maneira, por se tratar de uma via de mão dupla, abrimos caminho para sermos por elas acessados... Impensável a quantos malefícios potenciais, de curto e longo prazos, estamos irresponsavelmente nos sujeitando nessas incursões temerosas, assim também ao não “fecharmos” convenientemente as “portas” que permitem o acesso ao nosso aparelho – e através do pensamento, a nossa psique.

Esta avaliação simbólica em nada tem a ver com a obra de Franz Kafka – “Metamorfose”, escrita em1912 e publicada em 1915, tornando-se referência mundial do autor; nela a estória do caixeiro-viajante que ao despertar observa severa transformação em seu corpo.

Mas, ao seu exemplo, faz evidenciar a consciente e imprescindível responsabilidade que devemos ter para com nós próprios, para com nosso bem-estar físico, da psique individual, e conseguintemente a não interrupção do progresso que almejamos às nossas vidas, alertando-nos especialmente no que respeita à manutenção permanente e diuturna da vigilância – particularmente em relação às “ondas vibracionais” que emitimos, estas que estão umbilicalmente atreladas aos nossos pensamentos e comportamento.

Nossos pensamentos possuem forma e, naturalmente, não os desejaríamos similares ao do inseto narrado na obra Kafkaniana.

Há muito nos foi dito pelo maior luminar de todos os tempos: “Vigiai e orai”.

Quiçá no momento presente que atravessa a humanidade seja esse aconselhamento mais necessário do que jamais o foi!

Reflitamos, pois...

(*) E-mail: LNSanches@terra.com.br  

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Presidente do Instituto faz palestras em São Luis/MA

PRIMEIRA PALESTRA
Em visita a familiares residentes na capital do Maranhão,
Aureci voltou a palestrar no C. E. Poço de Jacó na noite de 10-7-2012:
Detalhe da atenta platéia que, ao final,
 manifestou seu agrado com uma salva de palmas ao orador:

SEGUNDA PALESTRA: Em 28-7-2012:
...ao final dos 60 minutos, Aureci declamou o soneto "Jornada", psicografado por Chico Xavier,  de autoria do espirito do poeta maranhense Adelino da Fontoura.
O agrado foi geral.
 
Aureci com dirigentes do CE Francisco de Assis:

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Palestra de André Luiz Peixinho (vídeo)

Para ampliar, clique no cartaz abaixo: 
Valmor Valente apresentando o orador ao público:
Assista ao vídeo da palestra no seu computador:

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A Complexidade dos Saberes Espíritas (Vinícius Lousada)


“É interessante observar a conexão entre os saberes organizados em O Livro dos Espíritos e as demais obras da Codificação, há entre eles uma inter-relação, ou seja, todos os pontos se correlacionam numa harmonia de conjunto e são filosoficamente interdependentes, uns deságuam nos outros de tal forma que a inteligibilidade acerca de determinado aspecto pede a igual compreensão de outros mais. (...)”

                                CONTINUA no link:

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Raciocinar por hipóteses, eis a solução...


Quem ainda não se acostumou a relativizar suas crenças e demais concepções encontra dificuldades para respirar no clima sereno do diálogo.

Bom ator dialógico é aquele que, desapaixonado por suas próprias ideias, tem consciência de que elas nada mais são do que meras hipóteses que serão, no tempo certo, descartadas por ele mesmo quando seus níveis conscienciais, ampliados ao influxo da força incoercível da evolução ascensional, vierem a lhe franquear acesso a entendimentos mais aprofundados.

Por outro lado, sempre a raciocinar por hipóteses, o sujeito dialógico deve, prévia e conscientemente, reservar espaço nos escaninhos da memória para acomodar confortavelmente as ideias alheias e deixá-las lá permanecer arquivadas como concepções mais ou menos plausíveis a serem validadas ou descartadas pela sabedoria do tempo.

Certo é que a predisposição para raciocinar por hipóteses desativa os nossos mecanismos de defesa, enraizados nas zonas do inconsciente, que costumam colocar nossas unhas de fora ao primeiro eriçar de pêlos.

Ressaltemos ainda, a bem da clareza, que o entendimento relacional, quando restrito ao campo das ideias, jamais ultrapassará as fronteiras de um sempre limitado acordo consensual, uma vez que as interpretações são construções subjetivas de cada um e, ipso facto, divergem nos encontros intersubjetivos, inevitavelmente. 

Diante dessa realidade inarredável da condição humana, a tão desejada fraternização das relações interpessoais só será possível no acatamento recíproco, incondicional, alicerçado na conjugação do respeito às diferenças individuais com sincera afetividade fraternal. 

Sem a postura dialogal e a ética da alteridade (respeito ao outro), nosso discurso será excludente, antifraterno.

Aureci Figueiredo Martins - Porto Alegre (RS)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Abortamento doloso

 
Aureci Figueiredo Martins, Porto Alegre/RS, aureci@globo.com  

"...a sede do psiquismo não está no cérebro
e, sim, no espírito imortal"
 
 Longe de mim a pretensão de convencer a quem quer que seja, mas peço vênia para expressar minha opinião sobre abortamento induzido. 
1.  A vida é o bem maior e precisa ser protegida pelas leis humanas. Se houver transigência nesta proteção, estaremos a caminho da legalização outros tantos crimes de lesa-vida, como eugenia, eutanásia etc. 
2.  Admita-se, acertadamente, a provocação do abortamento nos casos em que este for indispensável à preservação da vida da gestante. Mas, afora esta hipótese, penso ser difícil justificar-se a eliminação de seres humanos frágeis e indefesos.
3.  Lícita é a utilização de métodos contraceptivos não abortivos, todavia, constatada a gravidez indesejada, impõem-se o respeito à vida e o amparo à gestante. 
4.  Desde a concepção*, uma vida humana, individual e autônoma, tem seu início: ali está a ligar-se célula a célula um ser humano que se prepara para retornar ao palco da vida física e assim avançar no processo dialético da evolução espiritual: contínua, ascendente e infinita.  
5.  Entendo que, como seres espirituais, nossa propriedade verdadeira é constituída pelos valores intelectuais e morais – conhecimento, ignorância, virtudes e vícios – e que estamos submetidos a uma lei de evolução que nos induz a constante expansão consciencial.  
6.  Os bens materiais, inclusive o corpo descartável que animamos, não nos pertencem e, ao final de cada experiência carnal, teremos que prestar contas do uso que deles fizermos. 
7.  Ainda que, equivocadamente, alguma mulher se presuma dona do seu corpo, como pode ela arvorar-se em proprietária do corpo em formação no seu ventre? Ou melhor, como pode dispor da vida alheia que lhe pulsa no claustro uterino.  
8.  Nas pessoas sensíveis, um complexo de culpa costuma instalar-se na consciência, maculada pela prática do abortamento dispensável, com reflexos mórbidos no cosmo psicossomático. 
9.  Sabe-se que, nos países em que vige a legalização da prática do aborto, o número de casos de abortamentos dolosos aumentou enormemente, e há notícias sobre espetáculos macabros nas clínicas abortivas: a comercialização dos restos fetais... 
10. Espírita que sou, guardo comigo a convicção de que, nas voltas que nossas vidas dão, inexiste espaço para o acaso: tudo tem uma causa justa e um fim providencial. Como escreveu Albert Einstein, “Deus não joga dados no Universo”; e acrescento: e tampouco na vida humana.
11. Quanto aos fetos anencéfalos, cabe lembrar que a sede do psiquismo não está no cérebro e, sim, no espírito imortal. Nesses e noutros casos de malformação fetal, o reencarnante vivencia experiências necessárias ao refazimento do seu corpo espiritual (perispírito), por ele mesmo danificado em atitudes autodestrutivas de existências pregressas. Cabe, pois, o respeito à vida mesmo diante da perspectiva de inviabilidade/efemeridade de sobrevida ao parto.
Por estas e outras razões aqui omitidas é que, excetuada a hipótese do item 2 acima, sou definitivamente contrário à eliminação dos nascituros.  
Todavia ninguém tem condições de julgar a consciência alheia. Além disso, diante de erros cometidos – e quem não os comete? – não percamos tempo alimentando complexos de culpa: perdoemo-nos e busquemos o amparo da misericórdia divina na prática do Bem: quem agrediu uma vida que ampare outra(s), pois que “o amor cobre a multidão dos erros cometidos” (I Pedro, 4,7).
(*) "Assim que é concebido, um homem é um homem" (Dr. Jerôme Lejeune, geneticista)